Este templo fica mais afastado, cerca de 15km do Centro de Chiangmai. Acordamos bem cedo, ás 5:30 para subir até o topo da montanha e ver o Sol nascer. Uma dica dos nossos amigos Nat e Rob, do blog Love and Road.

A dica foi ótima e valeu a pena o sacrifício. Uma fina névoa cobria a cidade. O nascer do Sol foi muito lindo. Além de presenciar esta maravilha da natureza, chegando cedo, pegamos o templo livre de turistas.

Chegamos lá ás 6h e o guichê dos ingressos ainda estava fechado. Mas, entramos mesmo assim e pagamos na hora de ir embora, sem problemas. Custou 60 Baht para os dois.

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Para chegar até o templo, uma escadaria ladeada por duas Nagas gigantes com quatro cabeças de dragão feita em mosaico. Naga é a serpente mitológica que protegeu Buda da tempestade. Para os budistas, os mais de 300 degraus são para chamar a atenção de Buda para o merecimento de visitar o templo. Mas, também tem um elevador disponível por 20 Baht.

Logo que a gente entra, dá pra sentir que o Doi Suthep tem algo de especial. Mais especial que os demais. Ele é considerado um dos mais sagrados do Norte da Tailândia.

Um sinal

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Como falei, aquela visita parecia ter algo de especial no ar. Chegamos bem cedo no templo e já tinha uma leve, mas nervosa movimentação. Nenhum turista. Só tailandeses e moradores daqui.

Discretamente e em silêncio fomos entrando e descobrindo o porquê da forte energia que fervilhava naquele lugar.

Dhamma Day ou Asalha Bucha Day

Descobrimos que exatamente neste dia, os tailandeses comemoram o Dhamma Day, que é feriado nacional. O Dhamma Day é baseado no calendário lunar e cai na primeira lua cheia do oitavo mês lunar. Neste dia, Buda teria proferido o primeiro sermão depois de ser iluminado. Este primeiro sermão feito a um grupo de cinco ouvintes traria a essência de todo o ensinamento do Budismo. Um dos ouvintes, encantado e convencido pelo que ouviu, pediu para ser discípulo de Buda e Ele aceitou, formando assim a primeira ordem dos monges. O feriado é muito importante. As pessoas fazem oferendas especiais, o comércio fica fechado e é proibida a venda de bebidas alcoólicas neste dia. As cerimônias são concentradas nos templos budistas. Muitas pessoas levam comida, mantimentos e flores aos monges, que retribuem com sermões e palavras para reflexão. Nos dias que seguem depois da Lua cheia, os monges ficam reclusos nos templos rezando e meditando. Este feriado corresponde á Quaresma para os católicos. A data é celebrada também no Camboja, Tailândia, Sri Lanka, Laos, Mianmar e em países com populações budistas Theravada.

No templo vimos muitas pessoas fazendo preces e levando oferendas. A maioria usando roupas brancas. Em uma das alas, uma mesa tinha dezenas de sacolas de monges e as pessoas, em fila, passavam para depositar doação de comida e flores a eles. Em frente ao espaço onde os monges conversam com as pessoas, muita gente esperava sentado a vez de receber palavras de iluminação e reflexão.

Ossos de Buda

O templo foi construído em 1383 pelo Rei Keu Naone, para guardar o que seria um pedaço de osso de Buda. No centro do templo fica o chedi sagrado. (Chedi é uma torre onde ficam depositados os ossos ou cinzas de pessoas importantes para o Budismo). Diz a história que um monge subia a montanha carregando um osso da clavícula de Buda, quando sucumbiu.

Então, um elefante sagrado branco teria carregado o osso até o topo da montanha e vagado carregando esse osso até morrer.

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O elefante também está enterrado no templo em um lugar especial. Ao lado do chedi, fica o coroante dourado (parecido com um guarda chuva), que marca a independência de Chiangmai da Birmânia e a junção com a Tailândia. Muitas pessoas estavam realizando uma cerimônia chamada wian tian, em que caminham sentido horário em volta do santuário fazendo orações. Elas carregam vela, incenso e flor de lótus.

Durante este período de três meses depois do Dhamma Day, velas feitas especialmente para a ocasião são mantidas acesas. Na cidade de Ubon acontece um Festival de Velas, onde tem um desfile público e um concurso para eleger a vela mais bonita. Não fomos para esta cidade.

No complexo do templo existem pequenos santuários, jardins e estátuas, incluindo a do elefante que teria levado o osso de Buda. Também é possível marcar horário para conversar com os monges. Saindo do templo, ainda tem o zoológico e um parque onde é possível acampar ou se hospedar em chalés em meio a um bosque.

Na volta pra casa, pudemos prestigiar um desfile de estudantes de Chiangmai em celebração ao Dhamma Day. Muito lindo de ver.