Chiang Mai é a Cidade dos 300 Templos. Para visitar todos, seria preciso morar aqui um tempo. E essa ideia não nos parece tão ruim. Mas, também não está em nossos planos mudar de endereço. Pelo menos, não por agora. Então, visitamos o máximo de templos que pudemos. Escolhemos falar de alguns dos quais gostamos mais e que estão entre os mais significativos em Chiang Mai.

A Cidade

Chiang Mai é a segunda maior cidade da Tailândia com 1,6 milhão de habitantes, bem atrás de Bangkok, que abriga oito milhões. Está a uma hora de voo da capital. A construção data de 1296 e por 472 anos, a cidade murada foi a capital do Lanna, um reino independente que englobava o Norte da Tailândia, além de partes de Mianmar, China e Laos. Apenas em 1932, se tornou província da Tailândia. A Old City ou Cidade Velha – parte que ficava dentro do muro, hoje abriga lojas, restaurantes, hotéis e parte dos templos. Ruínas de pedra que formavam o muro ainda demarcam a Old City com 1,5 quilômetro quadrado.

Etiqueta

Antes de falar sobre os templos, é válido lembrar que para visitar um templo, assim como qualquer outro lugar religioso, é preciso seguir algumas regras de comportamento e etiqueta. A primeira e mais importante de todas: respeito. Respeite o ambiente, as pessoas, os objetos e, também a própria edificação. Vamos listar alguns lembretes que você deve seguir ao visitar um templo:

Use roupas que cubram ombros e pernas. Para mulheres, evite roupas apertadas que marquem o corpo. Os homens devem evitar bermuda.

Tire o calçado ao entrar em um templo.

Mantenha silêncio.

Se for conversar com um monge, se posicione um pouco abaixo dele. Geralmente, eles sentam em uma plataforma e você se senta sobre um tapete.

Não toque em nada dentro de um templo. Muito menos, em imagens de Buda.

Ao se sentar no chão dentro de um templo, não se posicione de forma que seus pés apontem para imagens de Buda ou para monges (as pernas são consideradas impuras.

Não tenha demonstrações de afeto como beijos, abraços, mãos dadas (exceto para crianças e idosos).

Em alguns templos hinduístas mulheres não podem entrar. Fique atento aos avisos.

Wat Srisuphan – Templo de Prata

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O Wat Srisuphan data do século XIII e foi considerado solo sagrado em 1501. Em 2004 começou a ser restaurado e levou 12 anos para ficar pronto.

Ele recebeu uma decoração especial feita pelos ourives da comunidade de Wualai, que aplicaram técnicas aprendidas com seus antepassados.

Somente as partes mais importantes do templo são de prata pura (inclusive por questões de segurança) e o restante recebeu alumínio. É o primeiro templo de prata do mundo.

Este templo tem influência hinduísta e, por isso, mulheres não podem entrar no templo, mas no espaço externo é permitido. A arte dentro do templo fala da cultura e arte budistas e dos enigmas e ensinamentos do Budismo. A decoração ainda traz símbolos do país, da religião, do rei. Além de ser um espaço para atividades diárias de monges, o templo ainda recebeu a missão de manter viva a tradição dos trabalhos dos artesãos com a prata. Segundo um monge com quem conversamos, “representa a conquista do objetivo de deixar a arte para a terra como uma homenagem ao Budismo e ao Rei Rama IX”. O Rei Rama IX a quem ele se refere é o Rei Bhumibol Adulyadej, o mais longevo do mundo. Ele foi Rei da Tailândia durante 70 anos até sua morte em outubro de 2016. No ano passado, chegamos na Tailândia apenas dez dias depois da morte do Rei e pudemos ver como ele era amado pelos tailandeses. O luto pela morte do Rei Bhumibol Adulyadej segue até outubro deste ano.

Wat Phra Singh Woramahaviharn

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É um dos mais importantes templos de Chiang Mai. Foi construído em 1345 pelo Rei Phayu para guardar a cinzas do pai.

É no Wat Phra Singh que fica o Buda Leão (Phra Singh, que dá nome ao templo), um dos mais venerados de Chiang Mai.

Ele é um clássico da arte Lanna.

Os murais nas paredes internas trazem uma representação da Terra com cenas dos povos da Tailândia e da Birmânia (atual Mianmar), além de fábulas que mostram a luta do bem contra o mal. Entre 1578 a 1774 o templo foi abandonado, sendo retomada sua recuperação anos depois. A parte do The Viharn Lai Kham traz a estátua mais importante do complexo, Buda Leão. Mas, tem outras edificações que precisam ser visitadas.

Wat Chedi Luang

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Começou a ser construído por Pur Haya Saen Mueang Ma para guardar as relíquias de seu pai, mas morreu antes de concluir a obra.

Seu sucessor, Phaya Sam Fang Kaen acreditava que animais e tudo o que fosse da natureza tinham poderes sobrenaturais.

O chedi (espécie de torre construída sobre restos mortais de uma pessoa importante dentro do Budismo) inicialmente teve 24 metros de altura. Depois teria chego a 96 metros. Mas, acredita-se que teve, no máximo 80 metros em 1481 quando foi concluído. Ocupou durante 500 anos o destaque de construção mais alta de Chiang Mai. Mas, um terremoto provocou queda de parte da estrutura, que foi renovada em 1992. O templo abrigava o Buda de Esmeralda, que hoje está no Grand Palace em Bangkok. Na entrada do complexo, vemos a árvore Cabeça de Elefante, guardiã dos espíritos do templo, que tem também a imagem do Buda Reclinado, Museu de Manuscritos do Budismo, além de monastérios para crianças e adultos que querem se tornar monges. Você pode encontrar algum monge para conversar sobre a vida e a religião.Ele acreditava também que o espírito do falecido, seu avô, só descansaria se o templo não fosse visto, a pelo menos, quatro quilômetros da cidade.

Wat Lok Molee

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Não se tem um registro exato da data de construção deste templo, mas as primeiras citações são de 1.367.

Ele pode ter sido construído pelo sexto rei da dinastia Mengrai, o Rei Kuena, que convidou dez monges da Birmânia para morarem no templo e difundir os ensinamentos sobre o Budismo Theravada em Chiang Mai.

O chedi foi construído em 1.527 e as cinzas de vários membros da família real Mengrai estão dentro dele. Uma das diferenças deste templo para os outros é que ele está alinhado ao longo de um eixo norte-sul (a maioria dos templos estão virados para a direção do Sol nascente, o Oriente). Particularmente, eu gostei muito deste templo. Lá tem a árvore sagrada, onde podemos pendurar placas de metal de nosso sígno chinês com nossas orações, pedidos ou agradecimentos. Eu só agradeci!

Wat Umong Suan Puthatham

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Este templo fica em meio a um bosque. Foi construído em 1.297, pelo rei Mangrai da dinastia Lanna para monges do Sri-Lanka. Um dos destaques é a réplica de um pilar Ashok com as quatro cabeças de leão. A cabeça de quatro leões é adotada como o Emblema Nacional da Índia.

Logo chegando a gente se depara com relíquias seculares encontradas pelos arredores do templo e dispostas em frente à parte principal.

São cabeças de Buda e outras dezenas de estátuas em meio às árvores, que dão um ar de mistério ao lugar.

Os tijolos da entrada do templo estão cobertas de musgo como um tapete. Contruído dentro do estilo Lanka, o templo abriga vários túneis que levam a altares de meditação. Do lado de fora tem uma grande stupa. No complexo ainda é possível passear pelo lago e alimentar os peixes. Outra coisa interessante são as “Talking Trees”, ou árvores falantes, que trazem placas com provérbios tailandeses com palavras de sabedoria e que nos convidam á reflexão.

Você caminha pelo bosque e passa pelas árvores com as mensagens. Assim, caminha refletindo sobre as questões que permeiam a vida, no meio da paz da natureza. Tem também um museu com livros antigos e esculturas.

Wat Phrathat Doi Suthep

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Visitamos também o Doi Suthep, mas para falar neste templo, é preciso fazer um post mais do que especial.

O Doi Suthep é considerado um dos mais importantes e sagrados da Tailândia, por guardar ossos de Buda.